Diálogo e ancestralidade marcam evento do Dia da Consciência Negra

Diálogo e ancestralidade marcam evento do Dia da Consciência Negra

No último domingo, 20, no Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) de Ponta Grossa, ocorreu o evento “Consciência Negra – cultura, diálogo e interações”. A atividade contou com a participação de representantes de movimentos sociais e conselhos, além de artistas e pessoas que realizaram apresentações culturais. 

A programação começou com a apresentação de Ana Cláudia Oliveira, misturando canto e contação de histórias em uma performance que tratava de ancestralidade e religião. A ancestralidade, inclusive, foi um tema presente em todas as apresentações. Ainda na abertura, Merylin Ricieli, historiadora e integrante do Movimento das Mulheres Negras de Ponta Grossa, falou sobre as origens do Dia da Consciência Negra e a importância da promoção de eventos que reflitam sobre o assunto: “O objetivo é levar relações étnico-raciais para a comunidade, não deixar somente na academia”, explica. 

As atividades de abertura foram seguidas de duas falas sobre o movimento negro na sociedade ponta-grossense. A primeira foi de Cris Zelenski, atual presidenta do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial. Cris reforçou seu lugar como mulher negra em um conselho e afirmou que ainda encontra dificuldades para que sua voz seja ouvida com atenção e propriedade. Falando sobre o espaço da nova geração nessas lutas, Aymê Alves, do Coletivo 4P – Poder para o Povo Preto, contextualizou a necessidade de um debate qualificado sobre raça, classe e gênero para que minorias em Ponta Grossa tenham acesso aos direitos mínimos como moradia e alimentação. 

Participação de Cris Zelenski no evento | Foto: Maria Helena Denck 

Leituras de poemas sobre negritude e ancestralidade também fizeram parte da programação do evento. Patricia Cordeiro e Rachel Solomons fizeram a dramatização de dois poemas que tratam de aceitação e preconceito, além do estado de negação que algumas mulheres negras passam diante de situações de opressão. Em uma parte mais prática, Indianara Santos ensinou brincadeiras de origem africana e fez com que o público adulto e infantil se levantasse para aprender brincadeiras que podem ser feitas com materiais de casa, como “pega bastão”, “saltando o feijão” e “cachorro que rouba osso”. 

Patricia Cordeiro durante dramatização de poema | Foto: Maria Helena Denck

A tarde foi finalizada com a apresentação do projeto Mambaia Améfrica Groove, com uma proposta de reconhecer a influência dos ritmos africanos na música latina, em especial na música brasileira, em uma combinação que é chamada pela equipe de “amefricana”. O projeto é encabeçado por Fernando Bertani, que também é o responsável pela composição das canções que fazem parte do repertório. 

Fernando Bertani, produtor do Mambaia | Foto: Maria Helena Denck 

O projeto Mambaia tem o incentivo do Programa Municipal de Incentivo Fiscal à Cultura (PROMIFIC) e conta com alguns dos nomes conhecidos da cena cultural de Ponta Grossa. São oito integrantes: Aline Garabeli (teclado), Anthonny Felipe (saxofone tenor), Eric Santana (bateria), Fábio Barbosa (trompete e flugelhorn), Felipe Ferreira (percussão), Felipe Oliveira (baixo), Fernando Bertani (guitarra) e Nicolas Salazar (saxofone barítono). Mambaia se apresenta em diversos espaços durante os meses de novembro e dezembro deste ano. 

Maria Helena Denck

Meu nome é Maria Helena Denck Almeida, estudante do quarto ano de jornalismo na UEPG. Sempre tive um afeto muito grande pela cultura brasileira e pela arte. Encontrei meu amor pelo jornalismo a partir do momento em que percebi que poderia contar histórias e dar uma voz para as pessoas que nunca tiveram essa oportunidade.

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