Ode à Palhaçaria no palco do FENATA

Ode à Palhaçaria no palco do FENATA

Por Gabriel Aparecido, Joyce Clara, Mariana Krankel e Victor Schinato

“Não é o 51° FENATA que está acabando, hoje é o 52° que está começando”. A fala do professor Nelson Silva Júnior, diretor de Assuntos Culturais da Universidade Estadual de Ponta Grossa, encerrou a edição deste ano do Festival Nacional de Teatro na noite de quinta-feira (09), no Cine-Teatro Ópera. Quatro peças foram apresentadas no último dia do evento: “Vazio”; “Viagem de Zenão”; diretamente de Buenos Aires a peça “Cuidado: um palhaço pode arruinar sua vida”, com os palhaços  Chacovachi e Maku; e na sessão de 22h, a peça “N” da Companhia Arte Móvel, que encerrou a noite e o festival.

Assim como na abertura, os palhaços Tibúrcia e Madaleno realizaram a cerimônia, em fala emocionante sobre a importância da palhaçaria. Tibúrcia, interpretada por Micheli Vaz, observa: “o palhaço é aquele que usa a máscara que menos esconde o rosto de quem usa, e mais revela a pessoa por trás dela”. Os palhaços cerimonialistas, integrantes da ONG Doutores Palhaços S.O.S Alegria, atuante nos hospitais de Ponta Grossa, afirmam que a arte da palhaçaria revela o melhor do ser humano.

O casal Micheli Vaz e Bruno Madalozo dão vida aos palhaços Tibúrcia e Madaleno Foto: Joyce Clara

No clima de encerramento, a quinquagésima primeira edição contou com dois importantes marcos para a história do FENATA. A pessoa mais jovem a atuar no festival, Joaquim, de 10 anos, atuou na peça “Estorvos – Se essa rua fosse minha”, no calçadão. Outro destaque é Netinha, como é conhecida, atriz com maior idade a performar no FENATA, que atuou na peça “A Praça” aos 90 anos. Ambos os atores receberam felicitações e presentes em sua homenagem.

“Cuidado: um palhaço pode arruinar sua vida”

Chacovachi conquistou o público com seu monólogo, em que a diferença linguística passava despercebida. Foto: Joyce Clara

Após esse momento, começou a peça “Cuidado: um palhaço pode arruinar sua vida”, em que o Palhaço Chacovachi conseguiu risadas do público presente ao abordar o que geralmente é considerado desagradável na sociedade, gerando reflexão através de piadas. Embaixo dos olhos pintados de preto está Fernando Cavarozzi, há mais de 40 anos atuando como o palhaço que se tornou um símbolo na palhaçaria, principalmente na América Latina.

Maku surpreende após fazer equilibrismo com aros por todo o corpo. Foto: Naiomi Mainardes

O espetáculo de Chacovachi satiriza o fenômeno de coaches, traz tiradas sobre a situação política atual da Argentina, país de origem do artista. E também com o seu próprio espetáculo, que segundo o palhaço “era o mesmo há 40 anos” e abusava comicamente dos clichês de palhaços já há muito tempo batidos e esperados, como receber uma torta de creme no rosto perto do fim da peça. Mesmo com a diferença linguística, a plateia reagiu com gargalhadas. Em dinâmica com o público, por meio de um contador, foram contadas mais de 250 risadas em pouco mais de uma hora de peça.

O show ainda contou com mostras de equilibrismo com a colega de palco Maku, música não-convencional, interação com o público e tortas de espuma. Chacovachi reflete ao final da peça sobre o que torna alguém um palhaço, e sua importância para a compreensão da humanidade.

Chacovachi desce do palco diversas vezes para interagir com o público. Foto: Naiomi Mainardes

Espetáculo “N”

Com projetores, a peça se utiliza de vídeos e fotos para mostrar os horrores da guerra. Foto: Naiomi Mainardes

A peça “N”, apresentada pela Companhia Arte Móvel, fechou os espetáculos do Fenata com a atuação de Lays Ramires, Gabriel Mazon e Helton Carlos, que deram vida a três pessoas fugitivas da guerra que carregam consigo a esperança de uma humanidade melhor. Inspirada no Diário de Anne Frank, a Companhia mescla o movimento corporal suave e expressivo com a interpretações de bonecos e objetos.

Na narrativa, três refugiados encontram uma mala esquecida em meio a um deserto enquanto fogem de tiros e bombas. Após um debate sobre a moralidade em abrir uma bagagem esquecida e invadir a privacidade e vida de uma pessoa, os personagens acabam por abri-la e encontram um vestido com tules de renda e um chapéu com laço de fita. Com outros itens da mala, e um diário escrito em letras miúdas e borradas, os refugiados embarcam na vida de uma garota que perdeu a vida por conta da guerra.

Em maquetes, bonecos, marionetes e roupas vazias, os atores contam a história de Anne, a de seus personagens e também a de milhares de refugiados que são pegos no fogo cruzado ao longo de guerras. Após desvendar o desfecho da dona da bagagem, os personagens se deparam com a frase: “Apesar de tudo, eu ainda acredito na bondade humana”. Então, decidem fechar a mala e seguir a sua jornada em busca da segurança.

Joyce Clara

Olá! Meu nome é Joyce Clara, sou acadêmica de jornalismo e vivo em dois mundos: o real e o que a arte cria em mim. Entusiasta das diversas faces da cultura e de toda catarse que me envolve através dela.

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