Suor e sangue

Suor e sangue

Suor e sangue

Esse jaleco pesa
como pesa o arado,
esse estetoscópio marca
como ferro quente na carne fria,
tento me debater,
mas é inútil,
você é fraco,
você é mercenário,
você tem que fingir,
você tem que ser cego!

Algo grudento adere minha pele,
parece a vergonha,
parece a culpa,
mas é o sangue
do paciente sobre a maca,
o sangue,
a marca da vida,
o sangue,
o anúncio da morte.

O que o sistema me faz,
a escravidão debaixo
de panos quentes,
a luta contra gigantes,
os braços que tentam conter o mundo,
a voz que clama
por revoluções.

Esse corredor,
um emaranhado de problemas,
um túnel fundo
das minhas angústias,
sinto cada dor
afundar a minha pele,
cada grito
rasgar a minha carne,
tenho um grito preso
nas entranhas,
tenho força
para quebrar
todas as coisas,
corro,
fujo,
sento na sala de curativos
e choro,
para o que eu luto
qualquer choro é pequeno.

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Rodolfo Martins Kravutschke

Rodolfo Martins Kravutschke

Rodolfo Martins Kravutschke: 28 anos, médico, trabalha na UBS do BNH, em Telêmaco Borba. Amante da literatura brasileira e mundial, além de um aficionado pela poesia, seja ela métrica ou livre. Apaixonado pela Letícia, torcedor do Palmeiras, gosta de jogar futebol, gosta de tocar violão, adora analisar os pequenos detalhes das coisas e amante das minúcias da vida
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Rodolfo Martins Kravutschke: 28 anos, médico, trabalha na UBS do BNH, em Telêmaco Borba. Amante da literatura brasileira e mundial, além de um aficionado pela poesia, seja ela métrica ou livre. Apaixonado pela Letícia, torcedor do Palmeiras, gosta de jogar futebol, gosta de tocar violão, adora analisar os pequenos detalhes das coisas e amante das minúcias da vida

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