Por Cultura Plural
Por Ingrid Muller e Yasmin Aguilera
No último domingo (30), o Teatro Marista foi palco de uma viagem mágica e emocionante com a peça “Qual o Melhor Presente do Mundo?”. O espetáculo, que mistura humor e fantasia, trouxe uma reflexão profunda sobre a importância da presença real nas relações humanas, destacando que os melhores presentes nem sempre vêm embrulhados, mas são aqueles que moram no coração. A iniciativa faz parte do projeto Santa Arte, iniciativa da Santa Casa em parceria com a ABC Projetos Culturais.
A história acompanha Clarinha, uma menina que recebe um desafio especial de sua mãe antes do aniversário e embarca em uma jornada ao lado de seu inseparável urso de pelúcia, Turim. No decorrer da aventura, ela descobre que o verdadeiro presente é o tempo e o amor compartilhado com quem se ama.
O projeto da peça nasceu de uma iniciativa inovadora da Santa Casa, que utiliza o teatro como ferramenta terapêutica para pacientes, colaboradores e familiares. “A ideia surgiu em 2023, como um projeto que nós não vimos em nenhum hospital do Brasil, que é oferecer oficinas de teatro como ferramenta terapêutica. Como a Santa Casa é uma instituição de alta complexidade, os pacientes acabam ficando muito tempo no ambiente hospitalar, que é um lugar mais tenso. Então decidimos levá-los para o mundo do teatro, para que tenham outra visão do tratamento. Isso contribui bastante”, explica o supervisor de marketing da Santa Casa, Vinicius Vieira.
Além dos pacientes, o projeto também envolve familiares e profissionais da saúde, promovendo um atendimento mais humanizado. “Os familiares também sofrem quando algum ente querido é diagnosticado com câncer ou precisa de um tratamento como hemodiálise. Por isso, decidimos incluí-los no processo, proporcionando momentos de alegria e conexão.”
Entre os participantes da peça estava Luana Veridiana de Lima, atriz e paciente oncológica da Santa Casa. Para ela, a experiência foi transformadora: “É a minha segunda vez no palco. Desde que conheci o projeto, tem sido maravilhoso, porque eu esqueço daquele momento de hospital e doença e me envolvo no mundo da imaginação. Comecei a viver minha vida e me divertir no palco, fiz amizades, brinquei e pude conhecer algo a mais”, conta.
Luana também destaca como o teatro se tornou um refúgio e uma ferramenta de expressão para muitos pacientes: “Essa peça mostra que tudo é possível com o poder da imaginação e do coração. O tratamento oncológico pode virar arte, uma dança, um teatro. Algumas pessoas que participaram não se apresentaram no palco, mas ajudaram no figurino, na montagem. Não é apenas sobre atuar, mas sobre estar junto, aprendendo e conhecendo outras pessoas.”
O evento também teve um impacto social significativo. Durante a peça, foram arrecadadas doações destinadas ao setor social da Santa Casa, sendo distribuídas para os pacientes mais vulneráveis.
A mensagem deixada pelo espetáculo ecoa além dos aplausos. Em tempos de correria e distrações digitais, “Qual o melhor presente do mundo?” relembra que a verdadeira magia está na conexão entre as pessoas e em provar que a arte é um poderoso remédio para a alma. E essa, sem dúvida, é uma lição que fica para a vida toda