Sobre o retorno das coisas

Sobre o retorno das coisas

Confronto-me com a sina dos retornos

e mesmo numa manhã indivisível,

vejo o retorno das coisas a certos lugares.

E, conseguinte, se eleva a questão do retorno ao estado natural,

o retorno ao inorgânico,

retorno do que um dia não era

e que um dia não será mais.

O eterno retorno

estampado na serpente engolindo seu rabo,

na sina da morte,

na sina da vida,

dois medos e dois extremos,

caminhos circulares e precisos,

aos quais tento arduamente fugir,

pulsão de vida e de morte,

e aos quais me deparo diariamente.

Fiz-me médico por medo da morte?

Ou na tentativa de apego com a vida?

Nem toda manhã se apega nas paredes,

ou nos olhos,

porém essa especialmente quer se agarrar.

Tem ela também medo de morrer?

E os pensamentos retornam,

como retornam os pacientes,

às vezes sentados aguardando sua vez,

às vezes no anseio de existir,

às vezes exasperados como se fossem os únicos,

às vezes agradecidos pelo carinho dispensado,

e muitas vezes não retornam,

seja por não ter sido suficiente ou necessário,

às vezes ficam guardados a sete chaves

com os medos profundos.

Seria eu paciente da minha vida?

Conversas fora do consultório me fazem retornar

ao estado menos pueril, mais sisudo,

à burocracia dos cliques do mouse,

às filas, à espera,

ao personagem principal,

mas não esqueço nunca de retornar ao ser vivo,

ao ser revolucionário,

ao começo e ao fim,

a mim.

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Rodolfo Martins Kravutschke

Rodolfo Martins Kravutschke

Rodolfo Martins Kravutschke: 28 anos, médico, trabalha na UBS do BNH, em Telêmaco Borba. Amante da literatura brasileira e mundial, além de um aficionado pela poesia, seja ela métrica ou livre. Apaixonado pela Letícia, torcedor do Palmeiras, gosta de jogar futebol, gosta de tocar violão, adora analisar os pequenos detalhes das coisas e amante das minúcias da vida
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Rodolfo Martins Kravutschke: 28 anos, médico, trabalha na UBS do BNH, em Telêmaco Borba. Amante da literatura brasileira e mundial, além de um aficionado pela poesia, seja ela métrica ou livre. Apaixonado pela Letícia, torcedor do Palmeiras, gosta de jogar futebol, gosta de tocar violão, adora analisar os pequenos detalhes das coisas e amante das minúcias da vida

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