Por Cultura Plural
Por: Emanuelle Pasqualotto e Marina Ranzani
O golpe militar de 1964 completou 61 anos no dia 31 de março. Para debater questões sobre a data, o projeto de extensão do curso de Jornalismo, Combate à Desinformação, organizou uma série de palestras e exibições de documentários. Como marco da abertura do ciclo, a palestra “Movimentos de resistência estudantil à ditadura cívico-militar” atraiu diversos estudantes no Grande Auditório da UEPG na última segunda-feira (31).
Os convidados foram o professor Guilherme Bomba, doutor em História Política pela Universidade Estadual de Maringá, e Narciso Pires, ex-preso político e parte da resistência do movimento estudantil.
Antes da palestra, ambos participaram do lançamento dos livros. “Apucarana: uma história de lutas e resistências”, do professor Guilherme Bomba, trata sobre como a ditadura irradiou nos municípios menores do interior, como Apucarana.
O outro livro presente no lançamento foi “Vozes da Resistência: Memórias da Luta contra a Ditadura Militar no Paraná”, escrito por Aluízio de Palmar, que conta com depoimento de 60 ativistas que fizeram parte da resistência ditatorial.
Guilherme Bomba explica que o apoio popular que aconteceu na ditadura foi um dos pontos que gerou um cenário favorável para o golpe militar, assim como o uso da propaganda para influenciar as pessoas. “Os inimigos da ditadura eram quem colocava as idéias no jornal”, afirma.
O professor complementa que o movimento estudantil de Apucarana foi o maior do Paraná e representou uma forte resistência no norte do estado. Guilherme ressalta as perdas ocorridas no período. “Muitos perderam a vida de maneira factual, mas também muitos perderam a vida no caminho que iriam seguir antes de serem fichados na ditadura”.
Na palestra, Narciso Pires destacou a importância da memória histórica e do pensamento crítico. “As pessoas pensam que lutamos contra a ditadura, mas, na verdade, fomos desenvolvendo pensamento crítico e descobrindo que vivemos em uma sociedade extremamente desigual”. Pires relatou sua experiência como militante do movimento estudantil desde os 17 anos. Em 1975, foi detido em Apucarana e permaneceu encarcerado por dois anos. Ao sair da prisão, não conseguiu mais voltar à cidade e enfrentou dificuldades para se empregar em escolas devido à perseguição do governo.
Narciso reforçou que a ditadura militar não é um evento apenas do passado, mas uma realidade presente na sociedade brasileira. “Ditadura militar, memória histórica, é transformadora e revolucionária, não é coisa do passado, é coisa do presente”, disse. Para ele, conhecer a história é essencial para evitar que erros do passado se repitam. “Conhecer é saber. Se não conhecermos, é mais propício repetir os mesmos erros do passado”.
Narciso também ressalta os desafios da desinformação na atualidade: “Antes, a informação era difícil. Hoje, tem muita informação, porém é muita informação falsa”. Por fim, Narciso encerrou a participação na palestra sobre a sua trajetória de luta, com a frase: “Eu não sou vítima, sou resistência”.
A programação do VI Ciclo Descomemorar Golpes seguiu até o dia 2 de abril com palestras e debates.