Autor: Vitor Lopes

Um pedacinho do Brasil em O Pagador de Promessas (1962)

Fugindo um pouco da marginalidade cinematográfica brasileira, apresento, desta vez, um filme “certinho”, linear, formal. Um filme pensado para ganhar prêmios mundo afora.  O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, é, digamos, nosso primeiro Oscar bait – neste caso, um Cannes bait. O diretor brasileiro, um dos maiores galãs das chanchadas da época, nunca escondeu …

Rashomon (1950): a chuva que desnuda a máscara e o sol que promete uma nova possibilidade.

Crítica do Letterboxd. […] um dia, logo antes da filmagem começar, os três diretores-assistentes que a Daiei tinha designado vieram me ver na pousada onde estava hospedado. Me perguntava qual poderia ser o problema. Acontece que eles acharam o roteiro desconcertante e queriam que eu o explicasse. “Por favor, leiam-no de novo mais cuidadosamente”, disse …

O Bandido da Luz Vermelha (1968): o caos de um país que tem como lema a Ordem e o Progresso

Eu sou contra o cinema novo porque eu acho que depois dele ter apresentado as melhores ambições e o que tinha de melhor, de 62 a 65, atualmente ele é um movimento de elite, um movimento paternalizador, conservador, de direita. […] O cinema novo está fazendo exatamente aquilo que em 62 negava. O cinema novo …

À meia noite levarei sua alma: Zé do Caixão e a antítese da moralidade

Em 1964, quando a Ditadura Empresarial-Militar se instalou, os militares prometeram (re)construir um tipo de Brasil. Nascia ali uma promessa abstrata de nação, onde o outro tornava-se subversivo, o problema a ser resolvido.  Inspirados pelo nazismo e pelo sistema de torturas otimizado (principalmente) por Estados Unidos e França, a solução foi dada: a morte foi …

Apocalipse nos Trópicos (2025) e o lirismo passivo que nada diz

Quando se fala em documentário, principalmente aqui no Brasil, Eduardo Coutinho é incontornável.  O que faz Coutinho ser um mestre do método documental é a sua sensibilidade para escutar e olhar. Quem já teve a oportunidade de assistir qualquer obra do diretor sabe do que estou dizendo: Coutinho trabalha com o plano dos sentimentos, do …

A prisão sufocante da padronização: Homem com H e os cacoetes da cinebiografia

Cinebiografia está longe de ser meu gênero favorito. Comumente, meu incômodo com obras cinebiográficas está nos cacoetes típicos: uma obrigação em explicar e/ou informar cada momento da vida do biografado ou da biografada; a narrativa episódica exaustiva; a linearidade formal dos fatos; etc.  De cara, meu primeiro problema com Homem com H (2025) está na …

Um aceno à mise en scène

O aceno é o primeiro movimento da interação. É um convite ao diálogo, à exposição de vontades e subjetividades. Um aceno à mise en scène é a tentativa de interagir com a Sétima Arte, a fim de revelar as conversas entre obras e espectadores. O que será desvelado por aqui são meus acenos ao que …