...
  • Newsletter
  • O projeto
  • Equipe
  • Parcerias
  • Contato
  • Galerias de Imagens
  • Colunas
  • Especial
  • Cultura e Pluralidades
  • Categorias
    • Agenda Cultural
    • Artes Cênicas
    • FENATA
    • Festival de Teatro e Circo
    • Artes Visuais
    • Charge
    • Cinema
    • Colunas
    • À margem
    • A vida
    • Diz-que-me-disse
    • Espaço Colaborativo
    • Crônicas
    • Lírios e Lótus
    • O Narrador
    • Quarentena Cultural
    • Cultura e Pluralidades
    • Cultura Popular
    • Arte de Rua
    • Artesanato
    • Circo
    • Festas Populares
    • Gastronomia
    • Outros
    • Religiosidade
    • Dança
    • Fotografia
    • Galeria
    • Galerias de Imagens
    • Geral
    • Cidadania
    • Comunicação
    • Direitos Humanos
    • Gênero
    • Outros
    • Política
    • Grupos Culturais
    • Literatura
    • Música
    • FUC
    • Sexta às Seis
    • Opinião
    • Ouça Aqui
    • Palco Virtual
    • Patrimônio Cultural
    • Perfil
    • Políticas Públicas
    • Reportagem
    • Uncategorized
  • Categorias
    • Galerias de Imagens
    • Colunas
    • Especial
    • Cultura e Pluralidades
    • Categorias
      • Agenda Cultural
      • Artes Cênicas
      • FENATA
      • Festival de Teatro e Circo
      • Artes Visuais
      • Charge
      • Cinema
      • Colunas
      • À margem
      • A vida
      • Diz-que-me-disse
      • Espaço Colaborativo
      • Crônicas
      • Lírios e Lótus
      • O Narrador
      • Quarentena Cultural
      • Cultura e Pluralidades
      • Cultura Popular
      • Arte de Rua
      • Artesanato
      • Circo
      • Festas Populares
      • Gastronomia
      • Outros
      • Religiosidade
      • Dança
      • Fotografia
      • Galeria
      • Galerias de Imagens
      • Geral
      • Cidadania
      • Comunicação
      • Direitos Humanos
      • Gênero
      • Outros
      • Política
      • Grupos Culturais
      • Literatura
      • Música
      • FUC
      • Sexta às Seis
      • Opinião
      • Ouça Aqui
      • Palco Virtual
      • Patrimônio Cultural
      • Perfil
      • Políticas Públicas
      • Reportagem
      • Uncategorized

A parte da história que ninguém vê

O interessante das dores é que, algum dia, a gente consegue usá-las como forma de expressão. A escrita sempre foi a minha melhor tradução. Às vezes é difícil fazer um sentimento grande caber em um verso pequeno de um poema. Então, quanto maior a melancolia das palavras, menos eu preciso explicar. Talvez este seja o poema mais extenso por aqui. Mas eu precisava deixar essa parte de mim nesta coluna e espero que, de alguma forma, ela encoste em algum canto do seu coração, assim como encostou no meu.

A parte da história que ninguém vê

Este é um lembrete de que a vida não acaba quando você vive um momento difícil.

Você sobrevive.

E, no fim, esse tempo vai ser muito mais valioso do que você imagina.

Cinco dias antes do meu aniversário,

o dia em que uma parte de mim nunca mais foi a mesma.

E, numa quinta-feira qualquer,

tudo passou a ser diferente.

Foram dias enxergando a minha pior versão,

a que não conseguia levantar sem doer,

a que tinha medo do próprio corpo

e do próximo passo.

O tempo parecia ter parado.

Os dias eram os mesmos.

Houve dias em que parecia que tudo o que eu era tinha ficado antes da lesão

e o que restou eram apenas pedaços quebrados.

Mas eu estava ali,

mesmo quebrada,

mesmo cansada,

mesmo sem entender.

Eu ainda estava ali.

E isso já era muito.

Eu reaprendi a ter paciência comigo,

a não me odiar por não conseguir,

a não me cobrar por sangrar em silêncio.

Porque ninguém conta

o quanto dói não ser como antes,

o quanto dói aceitar um novo jeito de existir.

Mas eu aceitei,

devagar, doendo, chorando.

E, mesmo assim, aceitando.

Este poema é sobre isso:

sobre continuar,

mesmo quando tudo em você pede para parar,

sobre confiar que o corpo cura

e que a alma também.

E que, no meio de tudo,

você ainda pode florescer,

mesmo mancando, mesmo com medo,

mesmo sem saber como.

Uma versão mais sensível,

mais paciente,

mais viva.

Eu aprendi que não é fraqueza precisar parar,

que não é derrota precisar de tempo,

que não é o fim quando tudo parece suspenso.

Eu perdi coisas naquele dia:

movimentos, segurança e pressa.

Mas ganhei outras:

silêncio, presença

e um novo jeito de olhar para mim.

Hoje eu entendo

que sobreviver também é uma forma de vitória,

que levantar, mesmo devagar, ainda é levantar,

que existir, mesmo com medo, ainda é existir.

E, se você estiver lendo isso

no meio da sua própria dor,

saiba:

isso não é o seu fim,

é só uma parte da sua história.

Você vai voltar a sorrir sem pensar,

a andar sem medo,

a viver sem contar cicatrizes.

E, quando isso acontecer,

você vai perceber

que esse tempo difícil

te ensinou a ser casa para si mesmo.

Como um velho amigo me disse:

“nenhuma dor dura para sempre, Ingrid”.

E enxergar isso,

É uma das formas mais bonitas de amor.

Conserva’s Big Band abre temporada do Conservatório Maestro Paulino

O grupo apresentou clássicos do jazz e da MPB no Centro de Música para marcar o início das atividades de 2026

No último domingo (22), o Conservatório Maestro Paulino iniciou a temporada de apresentações com o grupo Conserva’s Big Band no Auditório do Centro de Música. O grupo musical apresentou durante a noite o concerto Conserva’s Big Band Sessions, com músicas populares brasileiras, temas de filmes e jazz.

O concerto, além de iniciar as apresentações do Conservatório, teve como objetivo trazer mais estudantes para o grupo musical e mostrar o que é a Big Band, incentivando que o público vá aos próximos concertos. Os músicos tocaram ao longo da noite músicas de temas de filmes como A Pantera Cor de Rosa e Monstros S.A, músicas brasileiras e internacionais como Serrado do cantor Djavan e Isn’t She Lovely, de Stevie Whonder. 

Luiz Henrique da Silva Vaz, trompetista, está há dois anos no grupo musical e no dia do concerto realizou mais de um solo. Ele relata a satisfação de estar de volta: “aqui é um ambiente que eu gosto muito de estar presente pois é divertido, a galera é bem unida e  está sendo espetacular voltar estudando mais solos e aprendendo com todo mundo”.

Foto: Lorena Oliveira/Lente Quente

A noite foi de casa cheia. A residente no Tribunal de Justiça, Fernanda Rank de Souza, estava presente e avaliou de forma positiva a apresentação. “O ano mal começou e, mesmo com poucos ensaios, eu senti que os músicos estão muito renovados e descansados, aparentemente  vai ser um ano muito bom para a equipe, visto o desempenho deles nesta apresentação”.

Foto: Lorena Oliveira/Lente Quente

A Big Band é composta por 22 músicos e comandada pelo professor Amauri Júnior, que realizou dois ensaios antes do espetáculo com o grupo Conserva’s Big Band. A ideia inicial da primeira apresentação do ano era tocar em frente à Chaminé do Conservatório Maestro Paulino, mas por causa da previsão de chuva a apresentação foi transferida para parte interna do prédio, com entrada gratuita.

Unidos da Furiosa abre inscrições para Comissão de Frente e alas do carnaval

A Escola de Samba Unidos da Furiosa está em busca de novos participantes para integrar a Comissão de Frente e outras alas do desfile de carnaval deste ano, em Ponta Grossa. A iniciativa é aberta a pessoas que gostem da festa e tenham disponibilidade para participar dos ensaios. Os encontros acontecem sempre às 20h, na rua Ana Nery, nº 790, na Vila Ana Rita, em Uvaranas.

Os integrantes selecionados irão desfilar nos dias 14 e 16 de fevereiro, com concentração marcada para às 19h30. A escola disponibiliza as fantasias, que devem ser devolvidas após o desfile.

De acordo com Nilda Santos, da organização da Unidos da Furiosa, o enredo deste ano traz como tema a Festa Junina. “Vamos ter comissão de frente e várias alas que ainda precisam de integrantes. É um convite para quem quiser viver essa experiência do carnaval”, observa.

Quem tiver interesse em participar ou conhecer mais sobre a escola pode entrar em contato pelos telefones (42) 99135-1640 ou (42) 8801-6404.

A Unidos da Furiosa surgiu a partir da antiga Globo de Cristal e participa pelo segundo ano consecutivo dos desfiles de carnaval de Ponta Grossa. O grupo reúne profissionais com mais de 25 anos de experiência na construção do carnaval de rua. Em 2025, a escola conquistou o terceiro lugar no desfile, além de receber o Troféu Olhares Destaques do Carnaval e o Prêmio Trajetória Cultural de Escolas de Samba da cidade.

Texto: Hecate Agência

Adaptação: Amanda Stafin

Em cartaz, a agonia de uma morte anunciada

Por Sérgio Luiz Gadin 

Aos seis anos de idade, Hind Rajab implora por socorro, por longas horas, até a morte, dentro de um carro alvejado por 355 tiros de tanques militares com outros quatro corpos de vítimas executadas.

As personagens do filme tunisiano que concorre ao Oscar 2026 de melhor produção estrangeira são ficcionais, mas o roteiro é de uma realidade cruel, onde a vida humana – de homens, mulheres, idosos ou crianças – não vale nada aos soldados que impõem um genocídio já denunciado nos territórios da Palestina ocupada e destruída.

Em 89 minutos de duração, a equipe de voluntários da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino conversa com a menina de seis anos, única sobrevivente de um ataque do exército ao carro da família, que tenta fugir da Ocupação de um bairro de Gaza pelo exército israelense. As discussões giram em torno da busca de soluções para salvar Hind. A autorização para uma ambulância entrar na área precisa do aval da Cruz Vermelha e do Ministério da Saúde Palestina, evitando novas execuções de médicos e enfermeiros. Escondida no carro com primos e tios já assassinados, Hind pede socorro, enquanto os integrantes do serviço humanitário se revezam para animá-la a resistir, na espera do aval para envio de serviço médico.

“Os tanques estão vindo em direção ao carro e estão bem perto…”. O silêncio da menina é interrompido por sucessivas rajadas de tiros. No final da tarde, quando enfim uma ambulância com médico e motorista tem autorização para chegar ao local, a equipe perde sinal de telefone, o carro para há poucos metros e outra rajada de disparos é captada pelo celular da menina dentro do carro. Os corpos das vítimas e da equipe da ambulância só são identificados 12 dias depois, quando o exército israelense desocupa a área destruída.

Mais que um roteiro fílmico, a voz de Hind Rajab embrulha o estômago e deixa um nó na garganta, capaz de despertar para uma realidade marcada pelas milhares de execuções que as câmeras televisivas já não captam na estreita Faixa de Gaza.

Não há música. A trilha sonora da obra se resume aos diálogos angustiados, de desespero e de revolta, diante da incapacidade de salvar uma criança, que morre, implorando por socorro, na noite de 24 de janeiro de 2024. A voz de Hind Rajab é a gravação original das ligações de tristes horas de conversa que terminam com a morte de vítimas de ocupações militares em guerras ou destruições genocidas.

Em cartaz no cinema de diversas cidades do País, A voz de Hind Rajab tem assinatura de coprodução de nomes conhecidos no cinema mundial, como Joaquin Phoenix, Brad Pitt, Rooney Mara e Alfonso Cuarón. Premiado com o Leão de Prata em Veneza 2025, o filme assume um papel de denúncia nos mais importantes festivais do mundo. Independentemente do resultado do Oscar 2026, onde a obra representa a Tunísia na categoria filme internacional – e concorre com a produção brasileira O agente secreto – trata-se de uma peça que vale o tempo para ouvir os apelos de uma criança pelo direito à vida, que não se limita a um caso isolado, pois está comprovado que o genocídio do Povo Palestino já matou mais de 71 mil pessoas. Simples, triste, real e direto ao problema em torno do qual não se pode silenciar.

Dirigido pela cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania, A voz de Hind Rajab desafia a estética do cinema em um mundo onde a sensibilidade precisa nortear a criação, roteiro, direção e drama para mostrar aos que amam a sétima arte a vida também por festivais, independente de premiações: entrar na agenda de salas de projeção já é uma forma de chegar aos que ousam e esperam que o cinema vai além da sessão em cartaz para relaxar, refletir e sintonizar com problemas de outros mundos possíveis, que de alguma forma nos interessam e pertencem. Além de concorrer ao Oscar de melhor estrangeiro, o filme tem indicação ao principal prêmio do cinema inglês (Bafta) no ano. Imperdível, apenas!

Sérgio Gadini, professor em Jornalismo na UEPG (PR). E-mail: slgadini@uepg.br

Cidades complexas e lugares de memória 

Por Névio de Campos

Leitor(a), tomamos a liberdade de partir de dois conceitos importantes das ciências humanas contemporâneas para trazer algumas impressões, que podem fazer muito ou pouco sentido. São impressões demarcadas por subjetividade, mas que podem se conectar a outras subjetividades e gerar alguma reflexão.

Em janeiro de 2026, realizamos uma rápida viagem à cidade de São Paulo. Em cinco dias, ocorre uma frenética e acelerada programação de visita cultural, com eleição de alguns lugares de memória (“os lugares de memória são, antes de tudo, restos”, conforme Pierre Nora) numa cidade complexa(sociedades complexas se caracterizam pela “coexistência de diferentes estilos de vida e visões de mundo”, consoante Gilberto Velho). 

São Paulo, uma cidade complexa tal qual o sentido explorado pela antropologia urbana, apresenta-nos muita coisa para não incorrermos ao risco de usar o termo “de tudo”. O Largo deSão Franscisco nos reporta à presença secular da memória das “elites”, prefigurada à Catedral da Sé e à Faculdade de Direito, lugares de memória que rememoram e consagram grupos e instituições dominantes. No entanto, esses mesmos lugares apresentam suas fissuras, brechas da história, isto é, da luta, pois os lugares de memória sofrem alterações, mesmo que capilares, tal como se nota numa galeria indicativa dos nomes de mulheres professoras na histórica e imponente Escola de Ciências Jurídicas da capital paulista.

O Largo São Bento, muito próximo do Largo de São Francisco, também testemunha a presença do catolicismo, seja pelo imponente prédio da igreja, seja pela tradicional Faculdade de São Bento. Todavia, uma cidade complexa é muito mais do que os tradicionais lugares de memória. Ali mesmo se vê a expressão da cultura contemporânea das periferias (cultura hip-hop). 

Próximo dali se encontra o Largo do Palácio, marcado pelo Pátio do Colégio. Lugar de memória da Companhia de Jesus. Entre tantos restos de memória, quem faz uma visita tem acesso a relíquias de José de Anchieta (para os católicos, São José de Anchieta) – simbolizadas por parte do úmero (no museu) e parte do fêmur (na capela). Expressiva de uma cidade complexa, bem ali, a metros da capela em que se aloja o fêmur de José de Anchieta, no número 148 do Largo, funciona o Museu das Favelas, desde novembro de 2025. Antes disso, desde novembro de 2022, data de sua inauguração, funcionou no Palácio dos Campos Elíseos. Não tão distante dali, nesta frenética viagem cultural, visitamos o Museu da Língua Portuguesa, no qual acontecia a exposição Funk: um grito de ousadia e liberdade, que também traz outros traços de uma cidade complexa. Não menos expressivas são as exposições do Instituto Moreira Salles, notadamente o olhar fotográfico do fotojornalista negro Gordon Parks que nos leva para o mundo de mulheres negrase de homens negros dos Estados Unidos, que praticamente não apareciam ou não aparecem nos tradicionais lugares de memória, ou do prisma fotográfico da francesa Agnès Varda que nos convida a ver, por exemplo, as lutas dos negros norte-americanos dos anos 1960.

Note, leitor(a), num circuito próximo é possível entrevermosos diferentes traços de uma cidade complexa ou sociedade complexa. Todavia, uma “pessoa avisada” poderá nos dizer: isso tudo se vê no cotidiano, na multidão de uma metrópole ou qualquer cidade. E de fato, devemos concordar com essa interjeição, não obstante, sem deixarmos de fazer uma emenda: e a situação de uma “pessoa desavisada”, isto é, de quem vê e não olha. A pluralidade está ali, mas pode passar sem ser percebida, sem ser reconhecida. Trabalhar o olharrequer uma ação deliberada, capaz de gerar sentidos em quem vê, em quem transita por lugares públicos ou privados. Nesse aspecto, um lugar de memória é uma intervenção deliberada em prol de um certo fim. Logo, a existência do Museu das Favelas, no centro histórico de São Paulo, nas imediações do Pátio do Colégio, gera um processo de formação mais amplo das pessoas, muito embora a visitação a todos esses lugares requer uma disposição incorporada (habitus) por parte de quem por ali circula. Isso remete à ideia de formação cultural, uma responsabilidade individual e coletiva, talvez expressiva de políticas públicas direcionadas a escolas e universidades. De todo modo, Museu das Favelas, ou exposição do funk no Museu da Língua Portuguesa, ou outros tipos de museu, simbolizam lugares de memória que funcionam como uma espécie de “vigilância comemorativa”, como antídotos à tendência de se privilegiar as memórias de quem detêmcontrole dos espaços de poder. 

A esta altura, quem nos lê, talvez, já esteja se questionando: precisa ir a São Paulo para perceber tudo isso? Ou dito de outra forma: é possível perceber isso na cidade de Ponta Grossa? Parece que sim, caro(a) leitor(a). Vejamos rapidamente três situações: Agô: minha cidade tem saravá; Sobre vivências travestis; Rota Preta PG.

Os dois primeiros são documentários que trazem um olhar ao que podemos designar “diferentes formas de viver”. De um lado, egressos (Juliana Gelbcke, Felipe Soares e Guilherme Marcondes) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) dirigem o belíssimo documentário que apresenta vivências de religiosidade de matriz afro-brasileira numa cidade em que predominam práticas religiosas de origem cristã. De outro, a jornalista e professora Karina JanzWoitowicz, com a equipe do projeto Elos – Jornalismo, Direitos Humanos e Formação Cidadã da UEPG, coordena outro belíssimo documentário que retrata vivências de pessoas trans na cidade de Ponta Grossa. Outra experiência, que está ligada ao Museu Campos Gerais e conta com historiadores/asda UEPG, conecta de maneira significativa presente e passado à medida que nos convida a olhar os restos da memória e a reconhecer (ou se quisermos, a ver) a presença da cultura afro-brasileira na história de Ponta Grossa. 

Logo, caro(a) leitor(a), a partir das produções cinematográficas (de fácil acesso no youtube) e dessa iniciativa do Museu Campos Gerais, Rota Preta PG, você poderá conhecer ou ampliar a percepção sobre a cidade de Ponta Grossa. Além disso, é importante dizermos que estes “lugares de memória” ou estas experiências de uma sociedade complexa evidenciam o papel fundamental das políticas públicas, a presença singular de uma universidade pública como a UEPG, a sensibilidade e competência de servidores públicos e pessoas da sociedade civil que levam adiante projetos com potencialidade para vermos ou percebermos “diferentes estilos de vida e visões de mundo”. 

Portanto, seja numa metrópole como São Paulo, seja numa cidade menor como Ponta Grossa, podemos perceber elementos de uma “sociedade complexa”. Todavia, essa percepção precisa de mediação, pois é recorrente o apagamento de muitas identidades, notadamente identidades de grupos que não ocupam posições centrais e dominantes. Neste sentido, são fundamentais iniciativa como Museu das Favelas, exposição como Funk: um grito de ousadia e liberdade, documentários como Agô: minha cidade tem saravá e Sobre vivências travestis, além de ações como Rota Preta PG, pois podem nos retirar de nós mesmos e nos deslocar em direção aos outros. Trata-se de uma descentralização dos sujeitos ou das nossas próprias identidades e de um convite para nos dirigirmos a outros sujeitos ou a outras identidades, movimento fundamental para uma vivência fraterna. É o movimento identidade-alteridade, aspecto designado pelo historiador Paul Veyne de “saída de nós mesmos”. Este grande historiador francês diz: “a história, essa viagem ao outro, deve servir para nos fazer sair de nós, tão legitimamente quanto nos confortar em nossos limites”. Fazer esse movimento não é um caminho fácil, mas é necessário!

Caro(a) leitor(a), faz algum sentido isso tudo?

O mito do ‘Jasy jatere’ dos guaranis: uma inspiração para o mito do ‘Saci-pereré’ do Brasil

Por Fabio Aníbal Goiris

O jornal Folha de São Paulo (29 de novembro de 2025) esclarece uma antiga questão sobre a mitologia da América do Sul. O diário brasileiro afirma que o mito do ‘Saci-pererê’ não é originário de uma única cultura. Ao contrário, provêm de uma mistura de diversos elementos culturais e de mitologias de povos indígenas, africanos e europeus. Pode-se dizer, no entanto, que sua origem (essencial e mais remota) vem diretamente da cultura dos Guaranis, um povo indígena que habitava principalmente a região do atual Paraguai. O próprio nome ‘Jasy jatere’ (‘pedaço de lua’ em idioma guarani) tem origem nessa antiga cultura.

  O Jasy jatere (ou Yasy yatere, na escrita mais antiga) é, pois, uma lenda mitológica das nações Guarani primitivas, representada por uma espécie de duende (ou espírito) que emerge nas selvas do ‘Paraguai profundo’. Este duende da floresta é um menino muito jovem, loiro e que aparece no bosque após o meio-dia. A sua presença é geralmente aterrorizante, pois seu assobio é ubíquo, quase onipresente; sua voz perto do inaudível e afetada por um ceceio na pronúncia. Mas, o que assusta mesmo é sua metamorfose, já que pode se transformar, em um segundo, em pássaros ou plantas da região. Por ser loiro, ele também é chamado de ‘Cuarahy yara’ ou “Dono do sol” (ver figura 1 e 2). Os nativos costumam lhe deixar presentes para acalmá-lo em seus momentos de ira, como mel (‘eíra’), cana-de-açúcar (‘guari’) e tabaco (‘pety’).

Seu papel benigno, pacificador e protetor consiste em cuidar da natureza, dos animais e das plantas. O Jasy jatere fica furioso e agressivo ao perceber as matanças de animais indefesos por caçadores e os serrotes derrubando árvores antigas. A única defesa contra o duende enfurecido é usar no peito um crucifixo feito de “pindó caraí” (uma folha longa e fina, abençoada na igreja). Nas fotografias abaixo, observa-se duas imagens do Jasy jatere da mitologia Guarani, do Paraguai.

Figura 1 – “O Jasy jatere da mitologia Guarani e seu temível cajado.” Fotografia do jornal ‘Folha de São Paulo’ (29 de novembro de 2025).

  Na mitologia brasileira, o Saci-Pererê, que teria sua genealogia no antigo mito do Jasy jatere (dos guaranis primitivos), surge como um duende com características antropomórficas completamente diferentes. Primeiramente, o Saci-Pererê, do Brasil, tem pele negra (“um menino negro”, como dizem os autores). Este fato seria justificável dada a composição racial negra do Brasil (cuja linhagem inicial está na África). Além disso, o Saci-pererê tem apenas uma perna. Essa característica (creditada à mitologia africana) vem da capoeira. Uma dança ou arte marcial amplamente praticada por africanos escravizados, que inclui saltos, golpes com as pernas e manobras aéreas. Acredita-se que o Saci-pererê perdeu uma perna em uma luta de capoeira. Sem esquecer que o cachimbo do Saci (para fumar tabaco) também é um legado da mitologia africana. Ademais, o capuz vermelho do Saci, uma de suas fontes de poder, teria origem na mitologia popular portuguesa (Figura 3). O Saci-pererê é, pois, um duende que defende a floresta e os animais. 

Figura 3 – “Fotografia do Saci-Pererê no meio da floresta. O travesso menino negro de uma perna só e de capuz vermelho e cachimbo” (Folha de São Paulo, 29 de novembro de 2025).

  O Saci-pererê é uma das figuras mais famosas e importantes do folclore brasileiro. No Brasil, o dia 31 de outubro foi instituído oficialmente como o Dia do Saci-pererê (Projeto de Lei federal nº 2.479/2003), por se tratar de um duende que protege a floresta tropical e seus animais. No entanto, o escritor Monteiro Lobato, que popularizou o Saci-pererê em seus escritos (publicou ‘O Saci’, em 1921), certamente cometeu um erro ao retratar o mitológico duende negro quase como uma caricatura (“bagunceiro e travesso”). Deixou de ser o mito protetor, misterioso e onipresente de animais e plantas. 

  Emerge, pois, uma evidente diferenciação. No Paraguai o mito do Jasy jatere mantêm sua presença e sua ‘verdade’ através dos séculos. É um mito que não se ensina como parte da história ou como um elemento do folclore. O mito do Jasy jatere é entendido praticamente como uma história viva. A sua presença espectral é contada ainda hoje no dia-a-dia das pessoas. No silencio da ‘siesta’, após o meio-dia, a selva paraguaia é ainda dominada pelo respeito e reverencia devotados ao Jasy jatere (ao seu longínquo assobio e sua aterradora metamorfose). As crianças sabem que não se pode destruir a floresta, porque ali é a moradia de Jasy jatere. 

  O escritor indígena Olivio Jekupé, autor do livro “O Saci verdadeiro”, publicado em 2006 pela Editora Eduel (Editora da Universidade Estadual de Londrina), diz que nas parcialidades guaranis da América do Sul o mito do Jasy jatere não é classificado como folclore, justamente porque ainda faz parte da crença. Contrariamente, o mito do Saci-pererê, no Brasil, passou a ser entendido apenas como uma entidade folclórica. Assim, ao entrar na seara do folclore, o mito original do Saci-pererê pode ter sofrido os efeitos das incorporações e alterações cada vez mais comuns, inclusive por efeito do próprio capitalismo.  

  Nesse sentido, Monteiro Lobato teria alterado a condição do Saci-pererê original. Ou seja, teria corrompido sua condição de mito aterrorizante e misterioso (tal como continua sendo o caso do mito do Jasy jatere, da cultura guarani), para inseri-lo no contexto do famoso Sítio do Picapau Amarelo. Qualquer travessura, gracejo ou traquinagem observada no cotidiano passou a ser entendido como “coisa de Saci”. Talvez o objetivo de Lobato tenha sido adaptar ou adocicar o mito do Saci ao gosto do público infantil de um Brasil já altamente consumista. Cabe acrescentar que o ‘Sítio do Picapau Amarelo’ é uma série de 23 volumes de literatura fantástica, escrita por Monteiro Lobato (entre 1920 e 1947).

  Desde outro ponto de vista, já foi explicitado que, no Brasil, o dia do Saci é festejado no dia 31 de outubro que é justamente o dia de Halloween, ou ‘dia das bruxas’, na cultura norte-americana. É possível perguntar: esta coincidência de datas é uma tentativa de, mediante a homogeneização cultural, abrasileirar o halloween? Um grupo de jornalistas e intelectuais acredita que sim. Ou seja, que uma das formas de resgatar e valorizar as raízes culturais é justamente abrasileirar o halloween. Frases jocosas foram criadas para defender essa ideia: ‘arteiro que só ele, o Saci-pererê quer dar um jeito de se apropriar das abóboras do Halloween’.

  Contrariamente, outros autores como Andriolli Costa — pesquisador de folclore e criador do projeto “O Colecionador de Sacis”, considera que a cultura estrangeira, impulsionada pelo imperialismo económico e cultural e que incorpora forte influência da cultura pop (presente em filmes, séries, música e livros), acaba ofuscando as figuras do folclore brasileiro (Figura 4). Assim, o pesquisador conclui que: “Ainda hoje, há quem ridicularize as entidades do folclore, limitando-os a uma representação meramente figurativa. Essas pessoas tendem a considerar nossas tradições ‘ridículas’ e a valorizar o que vem de fora, justamente por serem elementos estrangeiros já amplamente mediatizados e, portanto, vistos sob uma ótica diferente. A proposta do Dia do Saci, então, surge como uma forma de desafiar essa visão, forçando as pessoas a relembrar e valorizar o Saci”.

Figura 4 – “A sugestão para a criação do “Dia do Saci” (31 de outubro, uma comemoração nacional) tem sido polêmica, pois coincide com o Halloween da cultura anglo-saxã. A intenção desse projeto é ensinar às crianças que o país também tem seus mitos. No entanto, a cultura estrangeira estaria ofuscando as figuras do folclore nacional.”

  Pode-se concluir que persiste uma lendária dualidade. Por um lado, o mito do Jasy jatere, da cultura guarani, não tem sido exposto ou entregue ao canto das sereias do capitalismo tardio. O menino loiro, de assobio refinado e metamorfismo assustador e misterioso, continua reinando nas selvas do Paraguai, protegendo-as. Ao mesmo tempo, o Jasy jatere não entrou no (ou não aderiu ao) espectro do mero folclore, uma vez que ainda representa uma história viva, que é contada para crianças e adultos até os dias de hoje. Depreende-se deste conceito que o folclore pode ser mais facilmente modificado pelo “meio ambiente utilitarista” do que a história viva de um mito como o Jasy jatere. Uma mitologia popular transformada em lenda viva que se ancora na tradição e ali permanece. 

  Por outro lado, o Saci-pererê, parente mitológico mais próximo do Jasy jatere, parece ter perdido sua aura de mito aterrador e misterioso. Isto aconteceu sob os efeitos de um capitalismo clássico e globalizante, que historicamente não aceitava que o Saci-pererê sempre foi um aliado incondicional dos escravos negros. Assim, o mito do Saci, o protetor das selvas brasileiras, virou apenas um menino travesso e trambiqueiro. Seja como for, o Saci-pererê conseguiu se transformar, no entanto, numa das figuras mais icônicas e populares do folclore brasileiro. Conhecido por ser um menino negro com uma perna só, ele usa um gorro vermelho, fuma cachimbo e não fala inglês.

* O autor é professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Graduado em Direito (CESCAGE), mestre em Ciência Política (UFRGS), realizou curso de Sociologia Política na Universidade de Londres. Publicou diversos livros. 

Da dependência química aos corredores da universidade

Drogas, prisões e ensinamentos no livro e na trajetória de Reinaldo Glusczka

Uma entrevista embaixo de uma árvore no pátio do campus central da Universidade Estadual de Ponta Grossa foi capaz de evidenciar tantos detalhes de uma história que está presente nas 251 páginas do livro Prisão Sem Muros. Uma mistura de sentimentos, memórias e experiências que revelam angústias e superações. Em forma de diário, a obra perpassa a luta pela vida de um ex-dependente químico. Entre as linhas, o autor não hesita em mergulhar na poesia através de um diálogo com tudo o que já viveu. A busca de um sentido para a existência levou o autor Reinaldo Glusczka a conhecer caminhos e trajetórias diferentes daquelas em que ele estava inserido. A universidade foi o espaço ideal para uma conversa com alguém que queria fazer parte dela.

Nascido no banheiro do Terminal Rodoviário de Ponta Grossa, Reinaldo foi adotado por uma família com origens ucraniana e polonesa ainda criança. Sua mãe biológica era usuária de substâncias psicoativas. Medos e preconceitos fizeram parte da vida de Reinaldo desde a infância. Durante a entrevista, ele fala da época com um tom de tristeza quando relembra que sofria bullying por ter sido adotado por apenas uma mulher e por não ter uma figura que representasse o papel de pai. 

Início de tudo

“Foi aí na infância que começou todo um processo de exclusão por parte de outras crianças que resultou na obesidade e no conhecimento do álcool. Eu já bebia direto nos finais de semana. Por exemplo, a primeira vez que eu bebi e perdi o controle eu tinha 12 anos. Foi num casamento de família. 

Além disso, eu estava inserido num contexto social onde pessoas do grupo familiar e escolar faziam uso de substâncias. E não é porque minha mãe não me amava que ela me deixava ali, mas porque ela precisava trabalhar. Ela era uma mulher incrível, mas infelizmente eu tive contato com isso muito cedo.

A primeira vez que eu experimentei a maconha eu tinha 13 anos. Com 14 eu comecei a usar inalantes e segui por anos fazendo o uso de thinner, cola, solvente, até eu quase perder meu pulmão.”

Vício e saúde 

“Eu ficava cerca de 12 horas cheirando as substâncias. Quando fui ao médico ele me falou que se eu continuasse assim, ia arrancar metade do meu pulmão. Mas, depois disso, eu conheci a cocaína. Quando isso aconteceu, parece que foi um despertar, sabe? Era como se faltasse uma peça no meu quebra-cabeça e ela fosse o uso. Eu injetava muita cocaína, até compartilhava seringas, principalmente durante um surto de HIV na cidade, mas não fui contaminado.”

Prisão e consequências do uso 

“Com 18 anos eu fui preso por causa de um assalto à mão armada. Na esquina da UEPG, vi uma mulher passando e peguei a bolsa dela. Eu lembro que estava muito bêbado e quando saí correndo, para comemorar o furto, eu quebrei o retrovisor de um carro. Na hora que fui enquadrado por isso, olhei para a universidade e falei que um dia eu ia estudar aqui. Fiquei 80 dias preso e paguei serviço comunitário, mas quando saí, voltei para o uso frenético porque eu estava com muita vontade. 

Com 19 anos eu quase tive uma overdose por inserir cocaína demais, tomar 7ml na seringa, que é quase uma seringa inteira de insulina. No outro dia eu fui me internar porque eu vi que eu ia morrer. Foi a primeira vez que eu fiquei dois anos sem usar substâncias.”

Início das mudanças 

“Foi aí que eu fiz o vestibular e passei no curso de Licenciatura em História aqui na UEPG, em 2005. Então, fiquei dois anos sem usar nada, conheci minha ex-esposa, tive minha filha e já me separei. O processo foi muito rápido. Quando me separei, conheci o crack e nunca mais tive paz na minha vida. Eu usei durante 15 anos e foi o mais compulsivo. Eu perdi tudo mesmo, a ponto de ficar vivendo na rua. Além de ter perdido o contato com a minha filha. Inclusive, quero até deixar um pedido de desculpas porque ela faz muita falta. Eu amo ela, eu já pedi perdão ela já disse que me perdoou e tudo, mas é ela lá e eu aqui, então a gente não tem contato.

Eu cheguei a pesar uns 49kg, tive costela quebrada e perda do controle das funções intestinais. Era horrível. E foi quando eu decidi que não ia mais viver daquele jeito porque chegou um momento que eu falei que ou eu parava ou me matava, porque já não aguentava mais tanto sofrimento. Eu já estava com 37 anos quando decidi reconstruir a minha vida e passei quatro anos sóbrio.”

Superação e nova vida 

“Agora, estou indo para sete anos em sobriedade. Consegui formar uma família novamente e voltar a estudar. Sou mestrando em História pela UEPG, faço voluntariado em algumas instituições como é o caso da Pastoral da Sobriedade. Também consegui uma bolsa por demanda social pela UEPG para conseguir estudar. Também atuo como professor colaborador na Federação Nacional de Terapia Holística  em Dependência Química. Então, eu faço trabalhos voluntários, eu tenho uma família, eu tenho uma casa. Eu sou o cara mais feliz do mundo.

Quando eu pedi para nós termos essa conversa, é porque não é o Reinaldo falando. Eu sou uma pessoa que representa milhões de brasileiros, entende? Represento um número infinito de pessoas que entram diariamente no mundo das drogas.”

A entrevista 

Em busca de representatividade, Reinaldo mergulhou na sua própria história. Em certos momentos, demonstrava os mínimos detalhes de tudo que aconteceu. O livro Prisão Sem Muros, para ele, é um desabafo. 

Prisão Sem Muros é um livro em formato de relato pessoal sobre a vida do ex-dependente químico. Para o autor, uma forma de expressão para que ele não precise relembrar diariamente sobre o que já viveu. Foto: Fernanda Matos

Glusczka traz a experiência de um ex-dependente químico como forma de combater estigmas sociais e tabus que são associados às drogas. Ele fala sobre a luta por sobrevivência em meio a um testemunho de dificuldades. Os sonhos para o futuro permanecem e os ensinamentos também. Hoje, ele é capaz de contribuir para a vida de outras pessoas, por meio da religião e do apoio. 

Reinaldo procurou essa entrevista com o objetivo de mostrar a superação, mas acima de tudo, testemunhar que a dependência pode ser combatida e que o apoio familiar e social é essencial. “Quando eu consigo ter um meio para falar sobre isso, eu me fortaleço, porque eu descobri que eu só consigo viver em sobriedade quando eu falo de sobriedade.” 

Sete anos em sobriedade, Glusczka atua em diferentes frentes com o combate às drogas. Foto: arquivo pessoal

Em caso de busca por ajuda para enfrentar o vício das drogas, ele disponibiliza o contato para prestar qualquer apoio: (42) 99663-5909.

Onde ficou a menina do vestido rosa?


Em algum lugar desses anos,

existiu uma menina que usava

vestido rosa e roupas de bolinha.

Ela amava monster high, suco de goiaba

e a sua companheira mais fiel, Pituka.

Essa menina sonhou muito,

dançou, escreveu cartas de amor

e acreditava que a vida era um filme.

É por essa menina

que eu sempre tento mais uma vez.

Ah, como eu queria voltar no tempo

e sentir o privilégio de não saber

como o mundo realmente funciona.

Onde a tristeza era temporária,

os problemas não existiam

e estresse nem era uma palavra conhecida.

Quero realizar todos os sonhos

que ela escrevia em seu diário secreto,

conhecer todos os lugares

que desenhou nas folhas de sulfite

que hoje nem existem mais.

Quando eu era criança,

eu sonhava em salvar o mundo…

Como será que essa criança

me olharia agora?

Quero, nem que seja por um instante,

ter o mesmo brilho nos olhos

que ela tinha.

Projeto expõe história da comunidade preta na cidade em patrimônios culturais

Ponta Grossa possui 70 patrimônios históricos tombados; bens são protegidos por lei

O Museu Campos Gerais, em parceria com o curso de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa, idealizou o projeto Rota Preta PG, que integra a população ao passar por espaços culturais onde houve manifestações da cultura preta em Ponta Grossa. Alguns elementos da rota são o Clube 13 de Maio, escolas de samba, a praça da catedral, o Clube Verde, terreiros e a ferrovia que corta a cidade. 

O Clube 13 de Maio é considerado um ponto chave no trajeto. Criado em 1890 com objetivo de letramento, é um clube social negro, que auxiliava na formação dos associados. “O clube é um espaço de resistência da população negra. É um espaço racialmente demarcado, que responde à exclusão dos indivíduos pretos e pardos recém libertos”, explica a professora e doutora em História Merylin Ricieli dos Santos, responsável pela execução do projeto. 

Foto: João Pimentel

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), patrimônio cultural é composto por monumentos, conjuntos de construções e sítios arqueológicos, de fundamental importância para a memória, a identidade e a criatividade dos povos e a riqueza das culturas. Em Ponta Grossa, diversos espaços são tombados, mas nem sempre toda a população é integrada.

“Quando falamos em patrimônio, as pessoas pensam naquele estereótipo de conservação de casas europeias. Existe uma resistência muito grande da população de superar essa visão sobre patrimônio”, diz a arquiteta e urbanista, especialista em patrimônio histórico, Giovana Paganini. Ela ressalta que falta educação patrimonial para a população, para que seja possível reconhecer patrimônios e desconstruir a visão atrelada a monumentos e casas. Os trajetos da Rota Preta PG são realizados de forma esporádica e as inscrições podem ser realizadas através das redes sociais do Museu Campos Gerais.

Falta de recursos leva ao fechamento de museus no país

Apesar do aumento de visitas presenciais, 10% das instituições foram fechadas

Por Victoria Fonseca


O número de visitas presenciais a museus teve aumento no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). No ano passado, alguns registraram recordes de visitantes, como por exemplo o Museu Oscar Niemeyer, no Paraná, com 712 mil pessoas, aumento de 41% em relação a 2023. Por outro lado, a falta de recursos e reformas ocasionou o fechamento de 10% das instituições em todo país em 2025, segundo o IBRAM.

Para a museóloga Samara de Lima, a maior dificuldade enfrentada pelos museus é a falta de recursos para manutenção. “O poder público nem sempre prioriza a manutenção dos prédios históricos. Muitas vezes, as intervenções são pontuais e não resolvem a deterioração dos monumentos”. A museóloga considera que a falta de formação de novos públicos, sobretudo crianças, ocasiona a falta de interesse para visitas. “Se houvesse políticas públicas que levassem para as escolas a história local e regional, despertaria o interesse nas crianças na educação patrimonial para a preservação dos locais”. 

Foto: Ana Beatriz de Paiva

Ponta Grossa possui sete museus em atividade, o mais recente inaugurado em 2023. A maioria do público vem de escolas. O secretário de Cultura da cidade, Alberto Portugal, destaca que os espaços públicos educam e preservam o interesse da população pela cultura local. “Uma criança que vai com a escola em um museu conta para a família o que viu e ela passará também a conhecer a história local, o que contribui para preservação e memória”. 

Piraí do Sul possui o Museu Ricardo Martins Szesz Filho, que preserva a história da cidade, com foco no tropeirismo. Apesar de morar próxima ao prédio, Stefany Mello não sabia que se tratava de um museu. “Apesar de estar sempre aberto como dizem, eu nunca vi ninguém ali e nem como visitar. Falta divulgação para que mais pessoas possam conhecer a história do nosso município”. 

Cultura Plural
  • Galerias de Imagens
  • Colunas
  • Especial
  • Cultura e Pluralidades
  • Categorias
    • Agenda Cultural
    • Artes Cênicas
    • FENATA
    • Festival de Teatro e Circo
    • Artes Visuais
    • Charge
    • Cinema
    • Colunas
    • À margem
    • A vida
    • Diz-que-me-disse
    • Espaço Colaborativo
    • Crônicas
    • Lírios e Lótus
    • O Narrador
    • Quarentena Cultural
    • Cultura e Pluralidades
    • Cultura Popular
    • Arte de Rua
    • Artesanato
    • Circo
    • Festas Populares
    • Gastronomia
    • Outros
    • Religiosidade
    • Dança
    • Fotografia
    • Galeria
    • Galerias de Imagens
    • Geral
    • Cidadania
    • Comunicação
    • Direitos Humanos
    • Gênero
    • Outros
    • Política
    • Grupos Culturais
    • Literatura
    • Música
    • FUC
    • Sexta às Seis
    • Opinião
    • Ouça Aqui
    • Palco Virtual
    • Patrimônio Cultural
    • Perfil
    • Políticas Públicas
    • Reportagem
    • Uncategorized
  • Newsletter
  • O projeto
  • Equipe
  • Parcerias
  • Contato

Geral

  • Newsletter
  • O projeto
  • Equipe
  • Contato
  • Categorias

    • Agenda Cultural
    • Artes Cênicas
    • Artes Visuais
    • Cinema
    • Colunas
    • Cultura e Pluralidades
    • Cultura Popular
    • Dança
    • Especial
    • Fotografia
    • Galerias de Imagens
    • Geral
    • Grupos Culturais
    • Literatura
    • Música
    • Opinião
    • Ouça Aqui
    • Palco Virtual
    • Patrimônio Cultural
    • Peça de Museu
    • Perfil
    • Políticas Públicas
    • Reportagem
    • Resenha
    • Uncategorized

    Colunas

    • À margem
    • A vida
    • Crítica Plural
    • Devaneios
    • Diz-que-me-disse
    • Espaço Colaborativo
      • Crônicas
    • Lírios e Lótus
    • Metamorfose
    • O Narrador
    • Quarentena Cultural
    • Um aceno à mise en scène

    Parcerias

    • TVCOM PG
    • Sociedade Afro-Brasileira Cacique Pena Branca
    • Revista Turismo PG
    • Lente Quente
    • Hip Hop PG
    • Departamento de Comunicação - UEPG
    • Crítica de Ponta
    • CREArte
    • Bando da Leitura
    • Agência de Jornalismo