Livros de saúde bucal em Kaingang chegam às aldeias de Ortigueira

Livros de saúde bucal em Kaingang chegam às aldeias de Ortigueira

A apresentação das obras foi realizada nas escolas indígenas das aldeias de Queimadas e Mococa 

Três livros infantis foram apresentados aos estudantes das escolas estaduais Cacique Crispim Gy Mu, na aldeia de Queimadas, e na escola Cacique Nür-fe, na aldeia de Mococa, em Ortigueira. A atividade, realizada no dia 21 de setembro, teve como proposta aproximar as orientações de saúde bucal da realidade das crianças indígenas.

Renato Pereira, primeiro indígena a se formar em Odontologia pela UEPG.

As  obras foram produzidas por Gabriella Baldotto, dentista da Atenção Básica no Espírito Santo, Matheus Filgueiras, graduando em Odontologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Manoelito Junior, professor na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), e Angela Scarparo, professora na UFF. O projeto surgiu durante a formação de Gabriella em Odontologia na Universidade Federal Fluminense (UFF), a partir da falta de materiais didáticos sobre saúde bucal voltados ao público infantil indígena. “Não tinha um material didático sobre educação e saúde bucal nas comunidades indígenas. Então, falamos assim: vamos produzir algo. E daí nasceram os três livros, que foram um produto do meu TCC”.

Os materiais são voltados à educação e à prevenção em saúde bucal e foram produzidos para as crianças pintarem. Gabriella, que também se interessa por arte e desenho, foi responsável pelas ilustrações. As obras abordam temas como escovação e prevenção de cáries e também trazem, de forma pontual, conteúdos relacionados à saúde em geral. Entre elas estão “José Irene e Macieira”, “Onça Filó e o seu dilema” e “Jacarés fora da lagoa”. Ao todo, foram produzidos 600 exemplares, sendo 200 de cada título.

De acordo com o censo do IBGE 2022, a comunidade de Queimadas tem 648 indígenas e a de Mococa 127.

Um dos destaques dos livros foi a tradução das obras do português para o Kaingang. O trabalho foi realizado pelo dentista formado pela UEPG e indígena, Renato Pereira, que já havia desenvolvido pesquisas  sobre materiais de saúde bucal voltados aos povos indígenas durante a graduação. A tradução exigiu adaptações para que os termos e as informações dos livros mantivessem o sentido na língua Kaingang. “Às vezes, a gente tem uma palavra em português, mas não tem uma palavra com o mesmo significado em Kaingang. Então, precisa pensar em outra forma de falar para passar aquela ideia”, explica Renato.

Segundo o professor Manoelito Ferreira Silva Júnior, que orientou Renato durante a graduação, a equipe da Universidade Federal Fluminense (UFF) procurou o grupo após conhecer o trabalho desenvolvido anteriormente. “Eles queriam fazer a tradução para uma língua indígena, iriam fazer para o tupi, mas quando viram a história do Renato e a possibilidade dele ser dentista, dele também ter o histórico de ser professor, teria essa facilidade de fazer a tradução.”

A programação proporcionou um momento de diálogo e aprendizado com as crianças, além da disponibilização de um livro com desenhos para colorir com orientações sobre a saúde bucal para as crianças.