Categoria: Colunas

Madrugada

Por: Maikon Scheres As multidões, mesmo carregando nos corpos as próprias histórias pessoais de lutas e desafios, dormem solitariamente alimentadas pelos sonhos e obrigações diante das horas contadas e agendadas implacavelmente por seus chicotes despertadores-relógios-comunicadores neuróticos barulhentos, que logo proclamarão como apito de fábrica um novo dia de batalhas e cansaços. Aqui, eu, insone, madrugada …

A representatividade feminina através de um olhar atento à música ponta-grossense

Escrever uma música e cantar com sentimento aquilo que foi escrito não é para qualquer pessoa, mas Gabriela de Paula, mais conhecida como MUM, faz isso muito bem em suas canções. Suas produções entre 2019 e 2025 têm um viés muito forte ao abordar o reconhecimento e valorização das mulheres na sociedade. A voz feminina …

À meia noite levarei sua alma: Zé do Caixão e a antítese da moralidade

Em 1964, quando a Ditadura Empresarial-Militar se instalou, os militares prometeram (re)construir um tipo de Brasil. Nascia ali uma promessa abstrata de nação, onde o outro tornava-se subversivo, o problema a ser resolvido.  Inspirados pelo nazismo e pelo sistema de torturas otimizado (principalmente) por Estados Unidos e França, a solução foi dada: a morte foi …

“Minha Reza”: o som que vem da alma

A música “Minha Reza”, lançada pela banda ponta-grossense Jamp em agosto de 2023,  representa um marco na trajetória do grupo, que há 17 anos se destaca no cenário do rock  nacional. Produzida em parceria com o cantor e compositor Rogério Wack, a canção reflete o  amadurecimento artístico da banda e seu compromisso com produções autorais.  …

Religião, território e resistência: um olhar sobre “Agô”

Por Emanuely Almeida O documentário Agô — Minha Cidade tem Saravá foi produzido por Juliana Gelbcke, Felipe Soares e Guilherme Marcondes, sendo uma das grandes obras sobre as religiões afro-brasileiras em Ponta Grossa, sobretudo a Umbanda e o Candomblé. O documentário possui 31 minutos e foi lançado em 2021, no Canal Historiô, com apoio da …

Apocalipse nos Trópicos (2025) e o lirismo passivo que nada diz

Quando se fala em documentário, principalmente aqui no Brasil, Eduardo Coutinho é incontornável.  O que faz Coutinho ser um mestre do método documental é a sua sensibilidade para escutar e olhar. Quem já teve a oportunidade de assistir qualquer obra do diretor sabe do que estou dizendo: Coutinho trabalha com o plano dos sentimentos, do …

Resgate da memória travesti em PG

Por Amanda Grzebielucka O documentário “Sobre Vivências Travestis” conta a trajetória das primeiras travestis de Ponta Grossa, Débora Lee e Fernanda Riquelme. Nele, é revelado como elas sobreviveram à repressão, à epidemia de HIV/Aids e às múltiplas violências que marcaram suas vidas, porém, sem ignorar os relatos de amor que receberam ao longo do trajeto …

Esquecimento e memória: a Mansão Vila Hilda e o patrimônio cultural adormecido de Ponta Grossa

Por Daniel Klemba Construída em 1926 como símbolo do progresso e refinamento burguês da época, a Mansão Vila Hilda se mantém até os dias atuais, como uma das construções mais emblemáticas de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais. No entanto, sua trajetória revela muito mais do que um passado histórico e glamuroso: reflete o …

A prisão sufocante da padronização: Homem com H e os cacoetes da cinebiografia

Cinebiografia está longe de ser meu gênero favorito. Comumente, meu incômodo com obras cinebiográficas está nos cacoetes típicos: uma obrigação em explicar e/ou informar cada momento da vida do biografado ou da biografada; a narrativa episódica exaustiva; a linearidade formal dos fatos; etc.  De cara, meu primeiro problema com Homem com H (2025) está na …

Um aceno à mise en scène

O aceno é o primeiro movimento da interação. É um convite ao diálogo, à exposição de vontades e subjetividades. Um aceno à mise en scène é a tentativa de interagir com a Sétima Arte, a fim de revelar as conversas entre obras e espectadores. O que será desvelado por aqui são meus acenos ao que …