Apesar do pesar
Rodolfo Martins Kravutschke
Encontro-me em tempo de aprendizado,
aprendizado que veio com a docência,
algo magnificamente paradoxal: ensinar para aprender!
Digo isso com um grande vislumbre de futuro,
apesar do pesar,
tenho muita esperança no mundo que vai, pois o mundo não fica,
quem ficará um dia serei eu,
por perto de um bosque quem sabe,
espalhado nos meus livros,
na memória de quem me conheceu…
Mas não escrevo por memórias, escrevo pelo ardente,
pelo hoje,
caminhos tortuosos e tristeza, medo,
e apesar do pesar,
eu acabo ficando com a esperança,
o que me causa grande interesse, curiosidade!
Nunca fui dos otimistas, realista quem sabe, flertando com o pessimismo,
gostei de Goethe, Álvares de Azevedo, Manuel Bandeira, Augusto dos Anjos.
Porém, fascinei-me com Machado de Assis, Fernando Pessoa, José Saramago, Ferreira Gullar.
Acho que isso mesmo conversa com quem sou, aliás, tudo que se vai nessas linhas
sempre conversa com quem sou,
livre associação de ideias, real, simbólico e imaginário.
E essa esperança não nasce como chama,
coisa essa que precisa de muito combustível, é exuberante em essência,
pode queimar…
Essa esperança nasce mais como um filhote,
algo tímido, sensível,
que precisa de muito cuidado,
pois não há esperança que não seja essa cultivada.
Esperança essa que nasce na docência
e que muito precisa ser cultivada,
contudo eu prometo, há esperança! Eu a sinto por todo lugar!
Lunático?
Louco?
Sonhador?
A alcunha exata eu não ligo, ainda me resta algo além de dançar um tango argentino.
E de mais em mais, amanhã vai ser outro dia!
