Cia de Dança de Ponta Grossa e Balé CEU das Artes apresentam o espetáculo “Três Atos” no Cine Teatro Ópera
Apresentação reúne reflexão sobre autoconhecimento, superação, inclusão social e homenagem a artista da MPB

Além de contar uma história, o espetáculo traz os sentimentos dos bailarinos através de uma narrativa de superação. Foto: Maiara Boratto.
Nesta quarta (07), a Cia de Dança de Ponta Grossa (CDPG), em conjunto com o Balé CEU das Artes, realizou o espetáculo “Três Atos” no Cine Teatro Ópera. O evento foi um momento de encontro e integração entre artistas, escolas, professores e alunos.
A CDPG apresentou as peças “Despertar”, um manifesto poético sobre autoconhecimento, sensibilidade e transformação, e “Trajetória de uma vida”, uma homenagem a Milton Nascimento, que une canção, memoŕia e emoção, ambas coreografadas por Fábio Alcântara.
A coreografia não foi apenas inspirada na história do músico, mas também na trajetória dos artistas que compõem a peça. O bailarino Jardel Rodrigues conta que o coreógrafo pesquisou a fundo a história de Milton Nascimento e transmitiu as intenções de cada trecho para os bailarinos. “Foi um processo intenso, mas muito prazeroso. Eu acho que foi importante para nossa carreira, não só como artistas mas como pessoas também”, declara.
Para o bailarino Hendryo Gustavo de Deus, o processo de adaptação de cada coreografia envolve incorporar a mensagem que ela passa. “Eu quero passar para o público um pouquinho da euforia que estou sentindo, e quero que eles achem isso bonito, mas também que deixem um pouco a estética de lado e sintam o que estou tentando mostrar com o corpo”, enfatiza.

Espetáculo “Despertar” reflete sobre a busca pelo autoconhecimento e o rompimento com a ignorância. Foto:Maiara Boratto.
O Balé CÉU das Artes integrou o segundo ato, com três coreografias dirigidas por Bianca Reis. Atualmente, o projeto conta com 42 participantes, com idades entre 2 e 6 anos, e funciona de forma totalmente gratuita. Para Bianca, é gratificante acompanhar o aprendizado e evolução das crianças, pois o retorno desse trabalho não vai apenas para elas mas para a sociedade também.
Ela relata que a maioria das crianças teve a oportunidade de se apresentar pela primeira vez no Ópera e muitas nunca entraram em um teatro para se apresentar. “Ter a oportunidade de proporcionar isso é muito significativo, pois elas puderam vivenciar algo que talvez não pudessem conhecer de outra forma”, ressalta.
Os figurinos também contribuem para a composição do espetáculo e imersão da plateia. O figurinista e cenógrafo da CDPG, Aleff Cristian Francisco, explica que em “Trajetória de uma vida”, o figurino foi inspirado na dificuldade e superação de Milton. “As roupas abrem e fecham, para trazer essa ideia da carne se abrindo, que é a essência do artista, se despir para o público”. Já em “Despertar”, as roupas são metade preta e metade branca para trazer a sensação de ambiguidade, o lado bom e o ruim.
O espetáculo contou com a presença de diferentes convidados, entre eles o curso de Licenciatura em História da UEPG, o Colégio Estadual Regente Feijó, além de diversas escolas e projetos de dança da cidade.

Balé CEU das artes conta mais de 40 alunas e funciona de maneira totalmente gratuita. Foto: Maiara Boratto.
Quem é Milton Nascimento?
Milton Silva Campos do Nascimento, conhecido como Bituca, nasceu no Rio de Janeiro em 26 de outubro de 1942, filho de uma empregada doméstica. Após a morte prematura de sua mãe, quando ele tinha dois anos, foi adotado pelos patrões dela e se mudou para Três Pontas, no sul de Minas Gerais.
A influência de sua mãe adotiva, Lídia, foi crucial para seu desenvolvimento musical. Aos quatro anos, ele ganhou sua primeira sanfona e, na adolescência, já tocava em bailes locais e integrava conjuntos musicais na região.
Milton foi reconhecido nacionalmente em 1967, no III Festival Internacional da Canção (FIC). Ele inscreveu três músicas e todas foram classificadas. Suas canções também atuaram como voz de resistência durante a ditadura militar no Brasil, como na gravação de “Cálice”, com Chico Buarque, em 1978.
